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Novidades - "O Incendiário da Madrugada"
Paulo Sérgio e Ricardo Coração de Leão em: "O Incendiário da Madrugada".

“Conheci Paulo Sérgio quando ainda estava em busca do meu sonho de ser profissional. Ele já era um sucesso em todo o Brasil. Em 1972, por coincidência, eu quase sempre fazia as aberturas de seus shows. Ele era tão "gente fina" que não discriminava os amadores. Do contrário, se relacionava melhor com os artistas do “andar de baixo” do que com os “puxa-sacos” que o rodeavam.

Mais tarde, comecei a cruzar com o Paulo nos bastidores de várias emissoras de televisão. Carinhosamente, nessas oportunidades, ele brincava comigo, garantindo que eu sempre faria suas “aberturas”. Tive grande sorte. Fui contratado pela gravadora Som Livre em 1976, e devido à grande divulgação realizada por esta empresa, logo tornei-me famoso em todo o país.

Certa vez, fui contratado para realizar um show na cidade paulista de Castilho. Para minha satisfação, Paulo Sérgio também estava lá. Ao término do evento, quando eu e o meu empresário planejávamos a volta para São Paulo, muito insistentemente Paulo Sérgio conseguiu-nos demover daquele plano, convidando-nos a pernoitar no sítio do seu sogro, localizado na zona rural daquele município. Para o dia seguinte, o nosso anfitrião programara um churrasco.

Ao chegar no aprazível rancho, Paulo Sérgio deixou-nos muito à vontade. Lamentou que àquela hora da madrugada não pudesse servir ao menos um café “fresquinho” aos seus hóspedes. Todavia, concedeu-nos a permissão de esquentar o café caso o julgássemos “frio”. Sem hesitação, enquanto todos já haviam se recolhido, peguei a reluzente jarra cor de prata, acionei o fogão e pus aquele recipiente para aquecer. Minutos depois, quando eu havia me dirigido ao banheiro, notei que um forte cheiro de queimado e uma espessa fumaça, vindos da cozinha, já se dissipavam por todos os cômodos da casa.

Todos se mobilizaram para conter o pequeno incêndio que, àquela altura, já havia consumido a toalha do fogão, a cortina, alguns outros utensílios e até a suposta jarra de café, que para minha surpresa era na verdade de uma garrafa térmica. Passado o susto, pude compreender o “mico” que havia pagado. A partir de então, Paulo Sérgio tratou de popularizar o desagradável ocorrido. Quando nos encontrávamos, aludia sempre ao fato, atribuindo-me o apodo de “incendiário da madrugada”.

O pequeno “incidente culinário” acontecera em meados de 1979. Jamais poderia imaginar que um ano depois o meu grande amigo deixaria este plano terreno. Sou muito reservado, assim como Paulo Sérgio o foi. Talvez por isso nos dávamos tão bem. Francamente, acredito que um cantor não precisa de “trejeitos” para demonstrar o seu talento. Até hoje, nos meus shows, canto a música gravada por ele que mais gosto: “O Amanhã Espera Por Nós Dois”. É o jeito que encontrei de não deixar morrer em mim a lembrança de um dos poucos amigos que tive. Certa feita, confessei-lhe o meu desejo de regravar esta canção. Paulo, então, sorriu e afetuosamente disse-me: “acho que você arrebentaria!”

Meu amigo Paulo Sérgio, onde você estiver, aceite meu caloroso abraço.
Ricardo Coração de Leão





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